29.3.07

(re)lendo Orides




Ode
E enquanto mordemos
frutos vivos
declina a tarde.
E enquanto fixamos
claros signos
flui o silêncio.
E enquanto sofremos
a hora intensa
lentamente o tempo
perde-nos.

O gato

Na casa
inefavelmente
circulam olhos
de ouro

vibre (em ouro) a
volúpia
o escuro tenso
vulto do deus sutil
indecifrado

na casa
o imperecível mito
se aconchega

quente (macio) ei-lo
em nossos braços:
visitante de um tempo sacro (ou de um não tempo).



(in Poesia Reunida [1969-1996], 7letras/CosacNaify)

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