11.3.07

Mentiras sobre Hilda Hilst

A minha raiva atingiu picos mais violentos e insuportáveis do que este verão de terra febril. Por isso, esperei que baixasse um pouco. O motivo foi um texto pretensamente biográfico escrito por um certo Antonio Naud Júnior para a Cult e divulgado na internet.

Trata-se de um texto eivado de mentiras, criado, mais uma vez, por seu autor, para autopromoção e com o título sensacionalista de "A Poeta Que não Sabia Amar". Já que a Hilda, infelizmente, não está aí para se defender, ficou fácil divulgar infâmias sobre ela. O referido Naud, a quem todos os amigos de Hilda conhecem por Maron, sobrenome que ele, com seu caráter viperino, retirou de sua assinatura - para ver se consegue deixar na dúvida quem sabe por que ele foi expulso da casa de Hilda e do emprego que ela arranjou para ele com um amigo, político ainda bastante importante -, já tinha tentado agredir Hilda com um panfleto mimeografado também mentiroso sobre a vida na Casa do Sol (que enviou ao importantes meios de comunicação, no início dos anos 90, para provocar escândalo, mas não obteve o mínimo sucesso). Panfleto, aliás, que ele insiste, no texto da Cult, de chamar de "ensaio" (quaquaquaquaquá!!!). Só alguém que não conheceu Hilda desconhece a enorme capacidade que ela teve de AMAR seus VERDADEIROS amigos, assim como todos os bichos e a natureza.

O sr. Naud inventa gostos para ela (o livro dela preferido era "O Morro dos Ventos Uivantes"? Quaquaquaquaquá!!! Deve ter sido alguma gozação que o "insigne biógrafo" não entendeu...), inventa situações e é altamente suspeito que tenha em mãos uma carta de Drummond para Hilda - que acreditava tanto na honestidade de quem a procurava que franqueava sua casa a muita gente desonesta, muita gente que acabou subtraindo dela livros e objetos pessoais. A carta será mesmo de Drummond? No caso de ser, como é que esse sr. a tem?

Agora, o que é pior: o bando de patetas que comenta o texto, levando-o a sério. Não adiantou nem o direito de resposta (reproduzido entre os comentários do website da Cult) dado ao escritor José Luís Mora Fuentes, ele sim um grande amigo de Hilda e um de seus herdeiros, presidente de uma instituição que visa a manter viva a memória e alguns sonhos da escritora.

Tem gente que quer criar para si uma imagem de Hilda (por não ter tido o privilégio de conhecê-la pessoalmente e privar de sua intimidade) e acreditar piamente em qualquer mentira que apareça na mídia. Esses, a propósito, têm especial preferência por uma Hilda que pareça prostituta, louca, desencontrada (pois assim podem se identificar melhor com ela, não é?). Iludam-se, iludam-se, sim. Hilda não gostaria de ter leitores tão idiotas.
Mas, talvez, pode ser que haja leitores bem-intencionados no meio disso tudo. Pois bem: se dessem atenção à própria OBRA da Hilda, veriam (os inteligentes, é claro), que o "artigo" do sr. Naud, esse importantíssimo intelectual baiano, é pura blasfêmia. É pura calúnia (pensando bem, será que ele consegue escrever algo diferente?).

Um poeta que não sabe amar não existe. Um poeta que, aparentemente, não soubesse amar NUNCA escreveria a obra de GÊNIO que Hilda deixou.

Ao sr. Naud certamente cai como uma luva aquela frase escrita por Hilda em "A Obscena Sra. D": "Livrai-me, senhor, dos abestados e dos atoleimados."

(Datilografando para Hilda "O Caderno Rosa de Lori Lamby", agosto de 1988)

6 Comments:

At 12/3/07 10:09, Blogger Mario Rui disse...

Ira santa. A gente te lê, malu, e sabe que o ódio (já que semeado no seu amor pela Hilda) cria.

 
At 13/3/07 19:41, Blogger Braga e Poesia disse...

sem essa de intelectual baiano esse rapaz é pra mim que sou baiano um desonrientado.
primeiro se o que ele diz é verdade poque ele não escreveu quando ela vivia
segundo - que me importa esses detalhes sobre hilda,parece essesprogramas menores de televisão, ele não entendeu a dimensão de Hilda

 
At 13/3/07 19:45, Blogger Braga e Poesia disse...

continuando.
o que me importa é ler muita a obra de hilda e ai eu espero que os donos dessa obra não venha a dificultar essa divulgação em nome do dinheiro,
eu já realizei uma montagen em teatro da obscena senhora d em 2001
e se não fosse o dierito autoral eu gostaria de voltar a fazer essa montagem eu interpretei a senhora d
eu sou ronaldo braga,baiano(continua o comentario

 
At 13/3/07 19:48, Blogger Braga e Poesia disse...

eu sou ronaldo braga
email: ronaldobraga.s@gmail.com
BLOG:www.ronaldobragas.blogspot.com
tenho alguns textos teatrais publicado e vários ineditos meu blog é meu veiculo.
e naud ou maron não é nada na bahia.

 
At 13/3/07 20:22, Anonymous ronaldo braga disse...

e me desculpe pelos erros, escrevi
algumas palavras erradas porque tambem me irritou o texto do naud e depois que eu publiquei percebi o erro e já era.
hilda é maior e é imortal

 
At 27/4/07 15:12, Anonymous Anônimo disse...

O artigo é fruto mesmo de uma mente abestalhada, que caia no esquecimento, como seu criador. O que importa é que Hilda é eterna, por um simples motivo: possui obra.

 

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