1.11.06

Apresentação



Depois de meses considerando ter ou não um blog e apesar de ter ficado mais algumas semanas em dúvida depois de ler um texto delirante do sr. Furio Lonza sobre os bloggers no número mais recente da revista de poesia e cultura Sibila, decido começar num dia 1º, tarde de fortes chuvas ao piano de Ravel. Decido escrever porque gosto de dialogar e, sobretudo, porque sou livre. No entanto, peço paciência aos que me lêem: é que a voz para esta novíssima experiência ainda não se desatou - e acho que isso vai ocorrer aos poucos. Vai ocorrer no decorrer das coisas. Enquanto a noite não vem - que é quando os pensamentos e a linguagem tomam conta do meu ser essencial, pedindo aí desculpas pela redundância -, deixo nestes primeiros "posts" alguns momentos poéticos, raros na grande algaravia cotidiana, pois fazer (poiesis é não só criar, mas fabricar) não é tão simples como tantos imaginam. Nem falar. Não se pode sair por aí atirando palavras como se fossem dardos sem rumo. Acho que o leitor atual está cansado de ser atingido à queima-roupa - basta ler os jornais ou ligar a TV. Então, este blog começa sob o signo da delicadeza, como as notas deste poema musical Oiseaux Tristes, que deslizam agora pelo ar.
EXPLICAÇÃO
Escrever, talvez,
para si mesmo

para compreender os mistérios
que em cada ser se acorrentam
elo por elo

poço sem fundo
poço sedento

talvez para o vento
agradecendo a música

para que a morte
seja mais intensa
e menos dura
para não morrer
feito uma pedra escura.
(Do meu livro Inventário da Solidão, ed. Giordano, 1998)

2 Comments:

At 3/11/06 12:38, Anonymous Valéria disse...

Esta é mais uma etapa em sua vida.
Como sempre você vai indo muito bem, quer dizer você é muito boa no que faz, só falta você acreditar mais.
Parabéns,
Valéria

 
At 15/11/06 19:27, Blogger Simone Iwasso disse...

Bom ter onde te ler. Lindo e belo poema. Voltarei aqui, muitas vezes. Um beijo

 

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